Caros leitores e leitoras.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Conheça os direitos sobre as fotos e vídeos que você faz

Os direitos autorais previstos em lei são inalienáveis e irrenunciáveis,
ou seja, ao se capturar uma foto, você não poderá, em hipótese alguma,
ceder os direitos morais inerentes a ela. Foto de Chico Sant'Anna.
Por Philipe Monteiro Cardoso*

Você é um profissional ou simplesmente gosta de tirar fotos, seja com seu celular, gopro, câmera DSLR, mirrorless, enfim, não importa o meio, saiba que você tem direitos sobre o material que você produz. Inicialmente, importante reconhecermos, que uma foto é considerada obra intelectual segundo a lei de direitos autorais (9610/98). Nesta afirmação, fica clara da análise do artigo 7º, inciso VII deste dispositivo.
São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como:
VII – as obras fotográficas e as produzidas por qualquer processo análogo ao da fotografia;
Merece destaque, o fato da lei proteger obras fotográficas, e aquelas produzidas por qualquer processo análogo, ou seja, pinhole, smartphone, gopro, tudo que se assemelhe ao processo fotográfico, é protegido por esta lei e lhe concede direitos sobre o material produzido.
Mas quais são estes direitos?
Segundo a lei 9.610/98, os direitos constantes na lei de direitos autorais, ficam conhecidos como direitos morais, que são basicamente aqueles contidos no artigo 24 da lei, sendo entre outros, o direito a reivindicação de autoria de conservação, de ter o nome atribuído aquele material e alguns outros que transcrevo abaixo:
I – o de reivindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra;
II – o de ter seu nome, pseudônimo ou sinal convencional indicado ou anunciado, como sendo o do autor, na utilização de sua obra; (ou seja: créditos devem ser dados sempre.)
III – o de conservar a obra inédita;
IV – o de assegurar a integridade da obra, opondo-se a quaisquer modificações ou à prática de atos que, de qualquer forma, possam prejudicá-la ou atingi-lo, como autor, em sua reputação ou honra; (o que eu sempre digo de vender fotos em CD…)
V – o de modificar a obra, antes ou depois de utilizada;
VI – o de retirar de circulação a obra ou de suspender qualquer forma de utilização já autorizada, quando a circulação ou utilização implicarem afronta à sua reputação e imagem; (se você permite o uso de uma foto tirada por você, na internet, mas resolvem usar em um site de pornografia infantil você pode na hora pedir a retirada, e ninguém pode reclamar.)
VII – o de ter acesso a exemplar único e raro da obra, quando se encontre legitimamente em poder de outrem, para o fim de, por meio de processo fotográfico ou assemelhado, ou audiovisual, preservar sua memória, de forma que cause o menor inconveniente possível a seu detentor, que, em todo caso, será indenizado de qualquer dano ou prejuízo que lhe seja causado.
§ 1º Por morte do autor, transmitem-se a seus sucessores os direitos a que se referem os incisos I a IV.
§ 2º Compete ao Estado a defesa da integridade e autoria da obra caída em domínio público.
§ 3º Nos casos dos incisos V e VI, ressalvam-se as prévias indenizações a terceiros, quando couberem.
O direito moral é seu e de mais ninguém
É interessante destacar que os direitos previstos acima, segundo artigo 27, são inalienáveis e irrenunciáveis, ou seja, ao se capturar uma foto, você não poderá em hipótese alguma ceder os direitos morais inerentes a ela.
Esta proibição em pouco se assemelha a impossibilidade de personalidades venderem seu direito de imagem de forma perpétua, o que acontece em alguns países.
Agora, caso você queira ceder alguns direitos de uso dela, isto é perfeitamente possível, sendo determinado no artigo 29 deste dispositivo, que:
Art. 29. Depende de autorização prévia e expressa do autor a utilização da obra, por quaisquer modalidades, tais como:
I - a reprodução parcial ou integral;
II - a edição;
III - a adaptação, o arranjo musical e quaisquer outras transformações;
IV - a tradução para qualquer idioma;
V - a inclusão em fonograma ou produção audiovisual;
VI - a distribuição, quando não intrínseca ao contrato firmado pelo autor com terceiros para uso ou exploração da obra;
VII - a distribuição para oferta de obras ou produções mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para percebê-la em um tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda, e nos casos em que o acesso às obras ou produções se faça por qualquer sistema que importe em pagamento pelo usuário;
VIII - a utilização, direta ou indireta, da obra literária, artística ou científica, mediante:
a) representação, recitação ou declamação;
b) execução musical;
c) emprego de alto-falante ou de sistemas análogos;
d) radiodifusão sonora ou televisiva;
e) captação de transmissão de radiodifusão em locais de freqüência coletiva;
f) sonorização ambiental;
g) a exibição audiovisual, cinematográfica ou por processo assemelhado;
h) emprego de satélites artificiais;
i) emprego de sistemas óticos, fios telefônicos ou não, cabos de qualquer tipo e meios de comunicação similares que venham a ser adotados;
j) exposição de obras de artes plásticas e figurativas;
IX - a inclusão em base de dados, o armazenamento em computador, a microfilmagem e as demais formas de arquivamento do gênero;
X - quaisquer outras modalidades de utilização existentes ou que venham a ser inventadas.
Portanto, não podemos confundir o que entende-se por direito moral, com o de reivindicar a obra, com o direito de utiliza-la para obtenção de lucro.
E a minha foto com pessoas nela?
Outro assunto de interessante análise, são as fotos em que pessoas apareçam nela e a necessidade de obtenção de autorização do direito de imagem de cada pessoa.
Neste ponto, quero fazer algumas considerações com exemplos.
Caso você tenha tirado a foto de uma pessoa, sendo ela o foco central, ou mesmo aparecendo de forma que venha a ser notada de forma individualizada, consideramos aqui que esta imagem deve ter autorização da pessoa que foi fotografada, pois a presença dela é utilizada dentro daquela composição fotográfica.

Agora o outro exemplo a ser analisado, é caso a foto tenha sido tirada de um local público, onde pessoas passem constantemente ali, dentro da composição da foto, o objetivo é mostrar o conjunto de pessoas e não alguma específica, neste caso, consideramos não ser necessária a obtenção de autorização de cada um presente naquela fotografia.


*Advogado, Pós Graduando em Direito Civil.
email: philipe@cardosoadv.com.br site: www.cardosoadv.com.br

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Vida de desempregado, por Ricardo Kotscho


Então, não tem outro jeito: depois de uma breve folga na Semana da Criança para curtir os netos na praia, comunico à praça que estou de volta ao mercado, como se diz. Qualquer trabalho honesto na minha área me interessa.

De uma hora para outra, os telefones param de tocar.
Ligam apenas alguns velhos amigos para perguntar o que aconteceu e dar um abraço.
Também rareiam as mensagens no correio eletrônico.
É como se você tivesse sido desligado do mundo: te tiraram da tomada, sem aviso prévio.
Estou desempregado pela primeira vez na vida, desde que comecei a trabalhar em jornalismo, com 16 anos.
Hoje faz uma semana que acordo de manhã sem ter o que fazer.
Não há mais anotações na agenda, nenhum compromisso.
É uma sensação muito estranha, de vazio absoluto.
Você descobre que o trabalho não é só teu ganha-pão para pagar as contas no final do mês.
No meu caso, sempre foi a própria razão de viver, minha ligação com o mundo.
Escrever para contar e comentar o que está acontecendo é a única coisa que aprendi a fazer.
Desde o meu primeiro emprego, nunca tinha sido demitido.
Foi uma paulada que não esperava, agora que estou próximo de completar 70 anos, com mais de 50 de carreira.
Nem sei por onde começar a procurar um trabalho novo.
Ao contrário da maioria dos outros 13 milhões de brasileiros sem trabalho, nem adianta distribuir meu currículo porque sou tão antigo que os possíveis empregadores já me conhecem.
O mar mercado, como sabemos, não está para peixe.
O fato de ser um profissional reconhecido e respeitado, que já trabalhou nas maiores empresas de comunicação do país, de repórter a diretor de redação, não é garantia de nada.
Enquanto a maioria das empresas do ramo reduz salários ou passa o facão sem olhar em quem, o mercado em geral busca mão de obra barata para substituir os que ganhavam salários melhores.
Esta é a realidade, e é com ela que precisamos lidar.
Para não me ver parado, minha filha Mariana Kotscho, também jornalista já veterana, abriu espaço em seu Facebook para publicar o que eu tiver vontade de escrever, enquanto monta uma plataforma independente para o meu blog, o Balaio do Kotscho, que está no ar desde 2008. Ela também criou aqui no Facebook uma página para o Balaio do Kotscho, assim já tenho onde publicar o que escrevo enquanto o site está “em construção”.
Já temos até endereço novo em casa própria: www.balaiodokotscho.com.brMinha filha caçula, a roteirista Carolina Kotscho, que está estreando o Musical “2 Filhos de Francisco”, já falou com a mãe para nos ajudar no que for preciso.
Por enquanto, é o que temos.
Sempre fui empregado, nunca tive negócios ou outras rendas fora do salário.
O que ganho de aposentadoria do INSS mal dá para pagar o plano de saúde.
Então, não tem outro jeito: depois de uma breve folga na Semana da Criança para curtir os netos na praia, comunico à praça que estou de volta ao mercado, como se diz.
Qualquer trabalho honesto na minha área me interessa.
Se alguém estiver interessado em patrocinar meu novo site, é só entrar em contato com minha empresária Mariana Kotscho.
Bom feriadão pra todos.


Vida que segue.
Abraços,

Ricardo Kotscho

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Líbano: a estratégia de comunicação do Hezbolá

Publicado originalmente no portal Al Manar Spanish

Hace mucho tiempo, Hezbolá empezó a invertir de manera significativa en el campo informativo, y sentó las bases para el uso efectivo de la guerra informativa y ha logrado una ventaja sobre sus adversarios a través de la gestión de la información, según un artículo publicado por Jpost.
JPost mencionó que las operaciones de Hezbolá han estado gobernadas durante mucho tiempo por el mantra: “Si no lo has filmado, no has luchado”. El grupo comprendió la importancia de documentar sus éxitos ya en 1994, cuando los combatientes de Hezbolá y un cámara se infiltraron en un complejo de ocupación militar israelí en el Sur del Líbano y colocaron una bandera dentro de la base, filmando el evento y esto supuso un gran éxito de propaganda”.
“Hezbolá mantiene una unidad exclusivamente dedicada a la guerra psicológica que se especializa en fortalecer la imagen pública de Hezbolá. Periódicos, Internet, los medios de comunicación social y la televisión comprenden el “arsenal de información” de Hezbolá. El grupo utiliza sus capacidades en el terreno de la información para anunciar sus muchos logros, incluyendo campamentos de verano para niños y un sólido programa de obras públicas” en el Líbano.
Para el periódico israelí, la “propaganda de Hezbolá está bien dirigida y enfocada y es específica. Ella enfatiza temas que incluyen la ideología de resistencia, el martirio y el establecimiento de legitimidad a través de la provisión de servicios sociales”, según el Jpost.
“La historia de los esfuerzos de la guerra de información de Hezbolá está tal vez mejor representada por la historia de su brazo mediático, Al Manar, una cadena de televisión por satélite que transmite desde Beirut y se puede ver en todo el mundo. Después de la primera emisión de Al Manar (El Faro) en 1991, el canal comenzó emisiones regulares tres años después y ahora desempeña un papel crítico como principal punto de difusión de las noticias e información de Hezbolá. Al Manar comenzó a intentar influir en la opinión pública israelí mediante la difusión de imágenes reales del campo de batalla mostrando a soldados israelíes muertos y mutilados”, agregó.
El periódico israelí considera que tan impresionante como la televisión y la producción de vídeos de Hezbolá es su extenso uso de Internet y las nuevas tecnologías de la información.
El diario señala que Hezbolá está constantemente trabajando para perfeccionar sus capacidades técnicas como muestra su uso de redes de fibra óptica más rápidas que pueden impulsar lasu capacidad de transmisión de datos en tiempo real y proporcionar una defensa más perfeccionada contra las capacidades israelíes de guerra electrónica.
“Hezbolá no sólo impidió a las unidades israelíes perturbar sus redes de comunicación al sur del Río Litani en la Guerra de Julio de 2006, sino que usó un equipo sobre el terreno para perturbar los radares y sistemas de comunicación israelíes”.
“Por razones operacionales de seguridad, Hezbolá emigró a circuitos telefónicos cerrados que operan independientemente de las redes del gobierno libanés. Durante los combates en la ciudad siria de Qusair en 2013, Hezbolá volvió a demostrar su inclinación por la seguridad operacional al diseñar un sistema complejo que permitió a sus combatientes hablar libremente en comunicaciones de radio abiertas sin tener que preocuparse demasiado por la interceptación de sus conversaciones”.
Hezbolá ha sido una realidad desde principios de los ochenta y, dada su notable capacidad para operar en el entorno de la información, probablemente seguirá siendo el movimiento más dominante y capaz de Oriente Medio durante décadas por venir, concluye el Jpost.

sábado, 16 de setembro de 2017

Mato Grosso do Sul tem concurso para Jornalistas e Publicitários.

Câmara municipal de Campo Grande e Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul selecionam profissionais de comunicação.



A Câmara Municipal de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, recebe, até 27 de setembro de 2017, inscrições para o concurso público que irá selecionar, dentre outras funções, profissionais de Jornalismo e de Publicidade.
É ofertada uma vaga para cada função, é necessário possuir cursos superior na função desejada e ser detentor de registro profissional. A jornada de trabalho é de 30 horas semanais e o salário de R$2.833,33
As inscrições serão realizadas pela internet no endereço eletrônico www.fapec.org/concurso onde estarão disponibilizados, para
preenchimento e impressão, o Formulário de Inscrição, o boleto bancário e o Edital do Concurso, contendo toda a regulamentação;

Mais informações pelos telefones (67) 3345-5910, 3345-5915 ou ainda pelo site www.fapec.org/concursos.

Reserva no Tribunal de Justiça do MS

E até às 16 horas do dia 18/9, estarão abertas as inscrições ao concurso aberto pelo Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul. São ofertadas cinco vagas no quadro de reserva para jornalistas. O salário inicial é de R$ 5.636,96. Os candidatos, igualmente deverão possuir formação acadêmica de nível superior e registro profissional.

Para efetivar a inscrição, o candidato deverá acessar o endereço eletrônico www.pucpr.br/concursos, link Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul, durante o período das inscrições, e proceder conforme estabelecido a seguir:
a) preencher o cadastro (completo) padronizado no endereço eletrônico www.pucpr.br/concursos link Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul;
b) preencher o formulário eletrônico de inscrição no Ambiente do Candidato; c) imprimir o boleto bancário, exclusivamente via internet no site www.pucpr.br/concursos, link do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul, e efetuar o pagamento da importância de R$ 100,00 (cem reais) para os cargos de Técnico de Nível Superior (qualquer especialidade), impreterivelmente, até o dia 18 de setembro de 2017, nos Bancos autorizados, observado o horário de expediente bancário.

Mais informações, clique aqui.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Editora UnB lança livro sobre Arquivologia & Cinema

Por Ana Célia Rodrigues

Cynthia Roncaglio e Miriam Manini são pesquisadoras e docentes do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação e do Curso de Arquivologia da Universidade de Brasília, onde encontraram o diálogo na Arquivologia, “campo do conhecimento que nos instiga a olhar para dentro e para fora da disciplina, numa tentativa incessante de nos enriquecer intelectualmente e, na medida do possível, enriquecer esta disciplina científica com nossas buscas teóricas e metodológicas”, como descrevem as autoras. E nesse diálogo descobriram que a paixão pelo cinema - “a imagem, fixa ou em movimento, e a palavra, dita ou registrada” - também as aproximam.
Cynthia e Miriam relatam: “não foi difícil diante das nossas experiências pedagógicas e culturais e durante o estreitamento da nossa convivência acadêmica e pessoal, surgir o interesse em realizar em conjunto, um estudo sobre Arquivologia e Cinema”.
Assim nasce esta obra, “que transmite prazer pela proposta”, um livro que “inclui a discussão de filmes em aulas de Arquivologia, ultrapassando a simples ilustração”, e que “ainda traz ótimas  receitas culinárias, testemunhas degustativas da feitura do livro”, enfatiza Johanna Smit, no prefácio.
As autoras apresentam neste livro um estudo da relação entre a Arquivologia e o Cinema, abordando a utilização do filme como recurso pedagógico para o ensino da Arquivologia. Descrevem, ainda, o processo de elaboração da obra, oferecendo as receitas culinárias que inspiraram seus encontros intelectuais.
A relevância do tema tratado nesta obra, o uso do Cinema no processo pedagógico do ensino superior e, em especial, sua interface com a teoria e prática arquivística para o ensino da Arquivologia, aliados ao ineditismo da abordagem e a escassez de produção bibliográfica em nível nacional e internacional, são aspectos que ressaltam a pertinência da pesquisa realizada pelas autoras.
Pesquisa teórica consistente, fundamentada em bibliografia atual, que problematiza as funções arquivísticas e a terminologia que as envolve, assim como a relação entre a Arquivologia, o Cinema e a Leitura de Imagens, aspectos que são muito bem explorados nos filmes escolhidos como exemplos para  análise.
O livro está estruturado em dois capítulos teóricos: o primeiro trata das relações entre as funções arquivísticas e a leitura de filmes, e o segundo aborda o uso do Cinema na transmissão do conhecimento como fonte documental. No terceiro capítulo, apresenta uma proposta metodológica inovadora, desenvolvida para o estudo das funções arquivísticas através da análise de filmes. O apêndice A oferece a lista de filmes analisados e indicados para uso didático em sala de aula; o apêndice B apresenta a Ficha de Análise Arquivística de Filmes (FAAF) elaborada, e as instruções para seu preenchimento; e o apêndice C proporciona as receitas culinárias para acompanhar uma sessão de filmes em casa, convidando o leitor ao prazer do cinema e à reflexão crítica sobre o filme como recurso didático para o ensino da Arquivologia.
Destaca-se a primorosa seleção dos filmes, o rigor na descrição dos procedimentos metodológicos desenvolvidos e a qualidade do resultado alcançado em sua aplicação, o que torna esta obra uma referência para o ensino da Arquivologia no Brasil.
As receitas de cozinha dos encontros das autoras são detalhes que aliam saber e sabor, e tornam a leitura da obra ainda mais prazerosa.
________________
Ana Célia Rodrigues é professora do curso de Arquivologia e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal Fluminense  (PPGCI/UFF).

Resenha publicada originalmente em Resgate – Revista Interdisciplinar de Cultura do Centro de Memória da Unicamp – v.24, n.2[32] p. 129-131, jul./dez. 2016____

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Foto-protesto, de TT Catalão: Controle Social da Mídia



Mídiacilada 

classemédia

Toma posse da opinião publicada

como se opinião pública fosse...

domingo, 23 de julho de 2017

FAO contrata Comunicador Social

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura - FAO seleciona profissional de Comunicação Social na condição de consultor para elaborar propostas de melhorias da estratégia de divulgação e articulação junto a órgãos da administração pública municipal e estadual, dentro de uma política de fortalecimento da agricultura familiar.

Há apenas uma vaga, o contrato é temporário, com a duração de 11 meses, e poderão se candidatar profissionais de nível superior com diploma em Jornalismo, Radialismo, Publicidade ou Relações Públicas. É necessário possuir experiência profissional em comunicação pública federal, no âmbito dos poderes Executivo, Legislativo ou Judiciário.

No período de 24 a 30 de julho, os interessados deverão inserir seus currículos no portal da FAO, onde serão oferecidas mais informações;

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Pesquisa avalia credibilidade popular da imprensa

Coletiva no Senado; Foto de Chico Sant'Anna
Segundo a pesquisa, 60% dos brasileiros acreditam nas notícias que leem ou ouvem.


Publicado originalmente em O Estado de S.Paulo, em 10 de Julho de 2017

Levantamento realizado pelo Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, vinculado à universidade inglesa de Oxford, revela que os cidadãos continuam confiando nos meios de comunicação para se manterem informados. 
Intitulada Relatório de Jornalismo Digital 2017, a pesquisa também mostra que o Brasil é um dos países em que essa confiança é mais acentuada. 
Segundo ela, 60% dos brasileiros entrevistados afirmaram que acreditam nas notícias que leem ou ouvem e que reconhecem a responsabilidade das empresas na filtragem das informações que veiculam.

Ao todo, foram entrevistadas mais de 70 mil pessoas, num total de 36 países. A média de confiança nos meios de comunicação entre os países pesquisados foi de 43%. O país em que o nível de confiança é mais alto é a Finlândia, com 62%, seguido pelo Brasil. Os índices de confiança também são expressivos em Portugal, Polônia e Holanda. Nos Estados Unidos, o índice é de 38%. Entre os países em desenvolvimento, a Coreia do Sul é o que registra um dos índices mais baixos, de 23%.

A tendência é de crescimento dos níveis de confiança. Levantamento realizado no ano passado com mais de 33 mil pessoas de 28 países, pela consultoria americana de relações públicas Edelman, mostrou que a confiança cresceu globalmente de 45%, em 2015, para 47%, em 2016. Esse foi o índice mais alto desde a eclosão da crise financeira de 2007-2008, quando 380 bancos de pequeno e médio portes quebraram e grandes instituições, como o Lehman Brothers, faliram. No Brasil, o índice pulou de 51% para 54%, entre 2015 e 2016.

Alertando para os efeitos das novas tecnologias sobre a qualidade da informação, a pesquisa mostra que 40% dos entrevistados consideram que as empresas de comunicação estão no caminho certo, criando blogs especializados para investigar a veracidade das notícias publicadas na internet. Revela, igualmente, o impacto negativo da proliferação de mensagens caluniosas e de notícias falsas - as chamadas fake news - nas redes sociais. Segundo a pesquisa, os aplicativos que têm ganhado mais espaço são os que permitem comunicação mais privada, como o WhatsApp. Já os aplicativos que utilizam algoritmos para definir quais informações terão maior visibilidade, como o Facebook, têm perdido espaço.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

PressTV, TV iraniana em inglês, completa 10 anos de existência

Por Samaneh Kachui,da HispanTV


A rede de notícias iraniana, PressTV, que transmite via satélite para todo o mundo com programação em inglês, completa dez anos de existência. Embora o sinal seja gratuito, no Brasil, operadoras de TV Paga não oferecem o conteúdo aos seus assinantes. O canal segue o estilo "all news": informações  24 horas por dia.

Los medios de comunicación de la República Islámica de Irán transmiten la voz de los oprimidos. Con estas palabras del presidente de la Organización de la Radio y Televisión de Irán (IRIB, en inglés), Abdolali Ali Asgari, se ha celebrado el décimo aniversario del lanzamiento de la cadena de noticias PressTV.
A partir de la victoria de la Revolución Islámica de Irán en 1979 se lanzaron varias emisoras y canales televisivos con el fin de transmitir su mensaje; la lucha contra la opresión y por la justicia. Un esfuerzo para contrarrestar los intentos de los medios occidentales de difundir la iranofobia y la influencia cultural negativa en el país.
Lanzado en 2007, PressTV se ha convertido en un medio alternativo bajo el lema: “la noticia desde una nueva visión”. Hoy, tiene 50 corresponsales en diversas partes del mundo, y varios han caído mártires mientras cumplan su misión de ser “la voz de los sin voces del mundo”.

Leia também:


La cobertura de las noticias de la resistencia contra los ocupadores extranjeros en Oriente Medio, la revelación de las políticas dualistas de Gobiernos occidentales en apoyo a regímenes despóticos de la región, entre otros, han generado obstáculos para PressTV, no obstante, la audiencia de este estratégico canal iraní sigue aumentando.
Actualmente, en el servicio exterior de la IRIB, más de 40 emisoras y canales en casi todas las lenguas vivas están haciendo llegar al mundo la voz de la verdad, mostrando una cara de los eventos que mayormente es omitida por otros medios de comunicación internacionales.
Veja aqui o informe da HispanTV, outro canal público iraniano, este em espanhol.


quarta-feira, 14 de junho de 2017

Documentário registra o papel do rádio na libertação de Guiné-Bissau e Cabo Verde

Canhão de Boca é um documentário de 52 minutos, realizado por Ângelo Lopes e produzido por Samira Pereira, da produtora O2, que aborda a construção da liberdade em Cabo Verde a partir dos programas de rádio. 
No contexto de luta de libertação de Guiné-Bissau e Cabo Verde, Amílcar Cabral usava a expressão “Canhão de Boca” para se referir à Rádio Libertação como arma mais poderosa do que todo o arsenal de guerra que pudessem possuir.
A partir da experiência cabo-verdiana e com um olhar sobre o mundo, o documentário “Canhão de Boca” ficciona um programa de rádio com Amélia Araújo, uma das vozes da Rádio Libertação que deu corpo aos programas de difusão dos ideais da luta entre 1964 e 1973; e Rosário da Luz, voz que incorpora a informação crítica como luta da desconstrução contemporânea em Cabo Verde. As suas lutas são próprias de cada tempo, mas são, na sua essência, lutas comuns.
Hoje porque lutamos? Um dos maiores legados filosóficos da luta pela independência é o princípio de que, para sermos livres, precisamos pensar pelas nossas cabeças. Para isso, é essencial combater qualquer tipo de colonialismo e a nossa subjugação a este(s).
Este documentário elege a rádio, meio de comunicação e expressão vinculado à voz, como veículo da discussão contemporânea em torno da utopia da liberdade. A partir de eventuais confrontos, interessam as relações que o espectador reconstrua a partir do seu próprio pensamento.
O filme de Ângelo Lopes combina dois tempos: o presente e o passado históricos. O documentário conta com a participação de Amélia Araújo, a principal locutora e animadora da Rádio Libertação, emissora criada em 1967 e utilizada pelo PAIGC para difundir as suas ideias durante o conflito que opôs o Partido ao Exército Português na luta pela independência (1963/1974).

Além de Amélia Araújo, participam também do filme a economista e comentarista cabo-verdiana Rosário Luz e o diretor da Rádio Morabeza de Cabo Verde, Nuno Andrade Ferreira. 
CPLP
Canhão de Boca foi produzido e está sendo exibido no âmbito do programa CPLP Audiovisual, que tem o objetivo de estimular o intercâmbio cultural entre os povos dos países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. O programa busca apoiar o desenvolvimento, produção e difusão de telefilmes de ficção, baseados em adaptações audiovisuais de obras literárias nacionais, bem como a produção e teledifusão de documentários.
Ficha Técnica
Inédito 52 minutos Realização Ângelo Lopes Produção Samira Pereira Diretor de Fotografia Mamadou Diop Assistente de Câmara e Edição de Imagem Edson Silva D. Captação, Edição e Mixagem de Som David Medina  Sonoplastia Kisó Oliveira Correção de Cor Manuel Pinto Barros Investigadora Celeste Fortes Assistente de Produção Vanísia Fortes Assistente Administrativa e Financeira Aldina Simão Design Gráfico Oficina de Utopias.
Serviço:
Canhão de Boca  vai ser exibido pela TV Brasil no sábado (dia 17), às 23h30.

domingo, 11 de junho de 2017

A repercussão do "Ocupa Brasília" na mídia internacional

Portal do New York Times trouxe como manchete
“Presidente do Brasil convoca as tropas federais para reprimir protestos”


Na cobertura dos órgãos internacionais de imprensa sobre o “Ocupa Brasília”, no dia 24 de maio, destacam-se, por um lado, a violenta repressão e, particularmente, o decreto autorizando a utilização das Forças Armadas, que, como muitos jornais destacaram, não foi suficiente para conter as manifestações.
Por outro lado, e de forma mais significativa, praticamente jornais do mundo inteiro enfatizaram a crescente debilidade do governo Temer, os rachas em sua base aliada e a concreta possibilidade de que ele renuncie ou seja deposto através de um processo de impeachment ou como resultado dos processos que estão em curso na justiça eleitoral.
Em especial, chamam à atenção as análises feitas nos jornais e sites que enfatizam os aspectos econômicos. Nestes (vide particularmente os exemplos das agências Reuters e Bloomberg, abaixo), refletindo as preocupações do mercado e investidores estrangeiros, há comentários abertamente favoráveis ao afastamento de Temer, considerada a única de se conter a crescente instabilidade no país e, inclusive, de se garantir a aprovação das reformas exigidas pelos representantes do capital mundo afora.
A manchete da agência Britânica, que distribui notícias para todo o mundo,
foi sob a manchete “Temer, do Brasil, utiliza exército quando
manifestantes entram em batalha contra a polícia”. 
Reuters: Uma das principais agências de mídia do mundo noticiou a ocupação de Brasília sob a manchete “Temer, do Brasil, utiliza exército quando manifestantes entram em batalha contra a polícia”. E vale a pena reproduzir várias partes do artigo já que ele serviu como base para matérias publicadas em jornais do mundo inteiro.
Segundo a agência “manifestantes que exigem a renúncia do presidente brasileiro Michel Temer encenaram batalhas sem tréguas contra a polícia e atearam fogo em um prédio ministerial em Brasília na quarta-feira, levando o líder atingido por escândalos a mandar o exército para as ruas”.
Ainda segundo o texto, “a polícia disparou saraivadas de gás lacrimogêneo, granadas de atordoamento [de efeito moral] e balas de borracha para deter dezenas de milhares de manifestantes enquanto eles marchavam em direção ao Congresso para pedir a derrubada de Temer e o fim de seu programa de austeridade”.
Destacando que estes foram os protestos antigovernamentais mais violentos desde 2013, a Reuters afirma que a manifestação “forneceu mais combustível para a crise” detonada pelos escândalos de corrupção “que aumentaram as chances de que o Brasil assista à segunda queda de um presidente em menos de um ano”.
Como exemplo da crise política, a agência destacou que, enquanto os cordões policiais tentavam conter os manifestantes “o mais importante aliado de Temer, o PSDB, se encontrava para discutir se continua a apoiar o presidente e se preparar para uma transição pós-Temer”.
Mencionando que 49 pessoas foram feridas, o artigo relata que “Temer aprovou um decreto permitindo que as tropas auxiliassem a polícia a restaurar a ordem em Brasília (…) dando aos soldados poderes policiais e o direito de fazer prisões nas ruas”. Uma decisão que foi tomada pelo gabinete de Temer “depois de que a polícia foi subjugada”.
De forma bastante significativa, a Reuters utilizou como um dos subtítulos da matéria (ou seja, com destaque) a frase “Temer não está mais governando”, atribuída à analista política Sonia Fleury, da Fundação Getúlio Vargas, que também defendeu que a crise é profunda e que “mais protestos violentos podem ser esperados em um país onde o descrédito com os poderes políticos estabelecidos é generalizado”.
A Reuters também destaca que as acusações de corrupção “atingiram fortemente os mercados financeiros em função das dúvidas sobre se o Congresso irá aprovar as medidas de austeridade destinadas a tirar o país da pior recessão de sua história” e lembra que Temer pode ser destituído do cargo pelo Tribunal Eleitoral, no dia 6 de junho, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) irá julgar ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer.
E prossegue: “Os partidos dos principais aliados de Temer estão divididos entre abandonar sua coalizão imediatamente ou, primeiro, chegar a um acordo em torno de uma figura de consenso para substituí-lo e salvar seu projeto de reformas. As medidas favoráveis ao mercado são consideradas vitais para restaurar a credibilidade das empresas e o investimento necessário para acabar com uma recessão de dois anos”.
Por fim, lembrando que “não há nenhum candidato claro para substituir o presidente sob ataque”, o artigo destaca que, fora do prédio do congresso, contudo, “a mensagem cantada pelos manifestantes era bem clara: “Fora Temer! Eleições gerais, já!”.
Bloomberg: A empresa sediada em Nova York é um dos principais provedores mundiais de conteúdo para o mercado financeiro, com terminais de informações presentes em quase 100% dos bancos, fundos de investimentos, corretoras e seguradoras no mundo, o que faz dela uma das principais porta-vozes dos interesses do grande Capital e dos investidores estrangeiros.
Sob a manchete “Prédio ministerial brasileiro é incendiado quando protestos se tornam violentos” e o subtítulo “Protestos violentos contra Temer sacodem o mercado”, o site da investidora apresenta um vídeo com uma entrevista com Hernan Yellati, Diretor do Departamento de Estudos Estratégicos da Barclays Investiments (um banco multinacional e empresa financeira, sediado na Inglaterra). E a primeira pergunta que lhe é feita é bastante significativa e dá o tom para a entrevista: “Qual é a probabilidade de que Temer renuncie ou que seja obrigado a renunciar?” (pergunta que permanece no ar, como legenda, durante quase todos os seis minutos da entrevista).
A resposta: “Eu acredito que a pressão continuará a aumentar, como nós vimos na semana passada (…). Nós achamos que isto é um cenário ruim para a economia; é um cenário ruim para as reformas” que, obviamente, são defendidas pelo representante da Barclays.
Na sequência, uma das entrevistadoras, em tom bastante irônico, comenta que, mesmo que a Suprema Corte prove a culpa de Temer nos escândalos de corrupção, não é muito provável que Temer sofra um impeachment, em função, nas palavras dela, “das, digamos, características próprias do Congresso brasileiro”, o que leva Yelatti a afirmar: “Eu acho que o impeachment é o cenário menos provável (…). Eu acho que ou a Suprema Corte toma uma decisão contra o presidente ou haverá uma renúncia e, neste caso, haverá eleições indiretas, feitas no Congresso, e o principal evento será em outubro de 2018, quando o Brasil terá eleições gerais”.
Comentando que isto parece um tempo muito longo para que se chegue a uma decisão, as apresentadoras apresentam gráficos destacando a entrada e saída de capitais do país, que, na análise do investidor, mostram que a “questão chave, no momento, é a volatilidade [instabilidade]” e que o mercado continuará instável enquanto se espera pela renúncia ou por uma decisão da Suprema Corte, concluindo com uma afirmação contundente: “Obviamente, uma renúncia seria um acontecimento positivo e todo mundo está vendo isto como o cenário mais provável”, mas se isto significar um atraso ainda maior na agenda das reformas, isto levará a mais efeitos negativos pela frente.
No restante da entrevista, comentando dados sobre a desvalorização do Real e outros aspectos econômicos, o representante da Barclays defende a Reforma da Previdência como um dos aspectos fundamentais para dar segurança aos investidores estrangeiros.
New York Times: um dos principais jornais dos Estados Unidos trouxe como manchete “Presidente do Brasil convoca as tropas federais para reprimir protestos”, comentando que a decisão foi tomada depois do presidente ter sido “sitiado por protestos” pedindo por sua saída.
Citando fontes oficiais, o jornal noticiou que a manifestação contou com a participação de 35 mil pessoas motivadas principalmente pela divulgação das gravações da JBS que fizeram com que houvesse “acentuada queda no mercado financeiro brasileiro” e detonaram “uma investigação de Temer e apelos generalizados para que ele renuncie”.
Mencionando a evacuação dos prédios ministeriais e a suspensão das sessões no Congresso, o jornal fala sobre os violentos confrontos com a polícia e destaca que manifestantes foram feridos pelas bombas de gás ou balas de borracha (também nas manifestações que ocorreram no Rio de Janeiro).
Além disso, o NY Times destaca a impopularidade das reformas apresentadas por Temer, a realização da greve geral em abril e o fato de que o presidente está numa ofensiva contra os delatores da JBS, acusando-os de terem adulterado e manipulado as gravações.
Citando o professor de Ciências Políticas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Jairo Nicolau, o jornal destaca que protestos como os do dia 24 de maio podem se agravar: “Eu vejo estas manifestações como uma radicalização que irá se tornar ainda mais séria. Há uma enorme insatisfação”.
O também britânico, The Guardian, ressalta que
“Michel Temer está se recusando a renunciar, enquanto
 os protestos contra a sua permanência  no governo
 estão levando a confrontos físicos com as forças policiais."
The Guardian: Um dos principais jornais da Grã-Bretanha reproduziu o conteúdo distribuído pela agência internacional de notícias Associated Press. No artigo, intitulado “Presidente do Brasil luta para se manter no poder na medida em que a crise política se aprofunda”, é destacado que “Michel Temer está se recusando a renunciar” enquanto os protestos contra a sua permanência no governo estão levando a confrontos físicos com as forças policiais.
Lembrando que “mesmo antes dos escândalos virem à tona, a popularidade de Temer já estava em baixa, em parte em função da oposição às reformas econômicas”, o jornal destaca que vários de seus assessores foram pegos pelas investigações que já levaram lideranças empresariais e políticos de destaque para a cadeia.
O jornal também destaca que somente um dos cinco assessores especiais de Temer continua no cargo depois que Sandro Mabel (do PMDB de Goiás), igualmente envolvido em denúncias de corrupção, pediu exoneração, na véspera do protesto, alegando motivos familiares
Referindo-se aos protestos em Brasília como um “esforço pra barrar as reformas”, onde os manifestantes “gritavam ‘Fora Temer!’ e carregavam cartazes exigindo eleições presidenciais diretas imediatamente”, o artigo também descreve a repressão: “Policiais com equipamentos antimotim, alguns a pé, com escudos, e outro a cavalo, se alinharam próximos ao congresso. Nas imagens da TV, a polícia pode ser vista jogando gás lacrimogêneo e de pimenta contra os manifestantes e detendo outros que tentavam romper o cordão”.
Em um editorial (ou seja, num texto que expressa a opinião do jornal), publicado no dia anterior e intitulado “O ponto de vista do The Guardian sobre a corrupção no Brasil: o povo merece se expressar”, o jornal defende que, diante do crescente escândalo, “uma solução política rápida não resolverá os problemas” e faz uma análise da Operação Lava-jato e da atual situação de Temer.
Em um dos trechos, o jornal afirma que “Temer nega ter feito qualquer coisa de errado, insistindo que as gravações foram adulteradas e dizendo que renunciar seria uma admissão de culpa”, mas que, na verdade, outras “considerações estão, sem dúvida, pesando sobre sua cabeça – particularmente o fato de que ele iria perder as proteções legais”, que tem como presidente.
Depois de se referir a vários aspectos da Operação, desde a saída de Dilma, e afirmar que “a política brasileira tem sido inteiramente desacreditada”, o jornal traz a seguinte conclusão, referindo-se à capacidade de resolução da crise, seja através do Congresso Nacional ou do judiciário: “Muitos legisladores (parlamentares) têm segredos próprios para esconder e alguns já se queixam de que a investigação tem sido ruim para a reputação e a economia do Brasil”, o que tem feito que alguns busquem uma saída através da tentativa de “de persuadir o presidente a renunciar”.
E continua: “Mas o problema é o escândalo, não o inquérito, e será muito pior para o Brasil se ele for abafado. Os legisladores (parlamentares) também não deveriam escolher o substituto de Temer, pois foram eles que o escolheram e as pesquisas mostram uma demanda esmagadora por eleições. Um público já desencantado pode, de outra forma, afundar-se na apatia ou, a longo prazo, recorrer a uma figura autoritária de extrema-direita como Jair Bolsonaro, que joga o cartão da anti-política. Os políticos brasileiros jogaram o país nesta bagunça. Agora, deveriam deixar que os 143 milhões de eleitores tivessem uma palavra a dizer sobre como sair dela”.
ABC News: A agência que distribui conteúdo para jornais e emissoras de televisão nos Estados Unidos noticiou que “Tropas são chamadas na capital do Brasil. Presidente sob pressão”, relatando que o decreto autorizando colocar soldados nas ruas foi cancelado na quinta-feira, depois de críticas à decisão considerada “excessiva e meramente como um esforço para [o presidente] manter-se no poder enquanto há uma crescente exigência para que ele renuncie”.
O artigo, que fala em 45 mil pessoas nos protestos de quarta, refere-se ao incêndio em dois ministérios, à evacuação dos prédios federais, aos 49 feridos, “incluindo um a bala” e afirmando que “a popularidade de Temer está em queda livre desde que ele assumiu o poder”, em uma situação em que “alguns brasileiros consideram sua presidência ilegítima, devido à forma em que ele chegou ao poder e seus esforços para passar uma série de reformas econômicas para limitar o orçamento, afrouxar leis trabalhistas e reduzir os benefícios previdenciários fizeram dele uma figura ainda mais impopular”, para além das denúncias de corrupção envolvendo vários de seus assessores.
Destacando que “muitos brasileiros querem que o presidente saia de um jeito ou de outro e estão exigindo que ele renuncie ou sofra um impeachment”, o artigo relata os vários pedidos, neste sentido, encaminhados para o congresso, particularmente o feito pela Organização dos Advogados do Brasil (OAB).
No final, a ABC News ressalta que “alguns observadores estão preocupados com o fato de que, se Temer conseguir continuar na presidência, a crise política irá levar o governo brasileiro à paralisia exatamente no momento em que a o país tenta sair de uma profunda recessão”.
EFE: A principal distribuidora de serviços de informação para os países de língua espanhola traz um vídeo mostrando a “destruição” de um dos prédios ministeriais de Brasília sob a manchete “Violência explode durante protestos em Brasília e no Rio de Janeiro”, destacando que, na capital, a polícia “usou gás lacrimogêneo para conter dezenas de milhares de manifestantes que marcharam, na quarta-feira, para exigir a renúncia do sitiado presidente do Brasil”.
Abordando vários aspectos da Operação Lava-Jato, das delações da JBS e do esquema de propinas que envolve Temer e seus dois predecessores imediatos, Lula e Dilma, a agência afirma que a possibilidade de “permanência de Temer no poder parece ser bastante frágil dado que ele perdeu o apoio de um poderoso parlamentar de seu próprio partido, o PMDB”, referindo-se ao senador Renan Calheiros que, segundo o artigo, teria declarado para uma estação de rádio, na quinta, que Temer deveria renunciar.
A emissora de rádio e televisão da Grã-Bretanha, BBC News,
 
destacou as fortes críticas feitas em relação à medida.
BBC News: A emissora de rádio e televisão da Grã-Bretanha trouxe como manchete “Temer revoga decreto de envio de tropas para Brasília”, destacando as fortes críticas feitas em relação à medida.
Le Monde: um dos mais importantes jornais da França noticiou: “Brasil: exército é utilizado contra manifestações em oposição ao presidente Michel Temer”. Apesar de, erroneamente, afirmar que a manifestação foi convocada por vários sindicados e pelo PT, o artigo destaca o ato pelo “Fora Temer” reuniu cerca de 35 mil pessoas (ou 100 mil, segundo os organizadores) “que semearam o caos em Brasília” e cita o analista político da Consultoria Hold, André César, comentando o decreto que autorizava o envio do Exército: “é uma medida extrema que demonstra que o governo perdeu o controle”.
De linha editorial conservadora, o francês Le Figaro destaca
 que no “Brasil: as ruas querem a saída do presidente

O jornal ainda lembra que, colocado “no centro de graves acusações de corrupção, o presidente tenta se agarrar ao poder, tentando evitar a deserção de seus aliados políticos. Mas as negociações foram interrompidas por causa do caos em todo o Congresso, onde os parlamentares podiam ouvir as explosões de granadas de efeito moral na frente do prédio do Legislativo.”
Afirmando que as “exigências para que o chefe de estado se demita estão se multiplicando” e o que o presidente rejeita firmemente esta opção o artigo lembra que, no entanto, a continuidade de Temer no poder está “ameaçada em função de uma possível ruptura na sua coalizão”, além dos processos que correm no Supremo e dos vários pedidos de impeachment.
O artigo também destaca a crise está atrasando a implementação das reformas e tem produzido estragos na economia, dando como exemplos a queda das ações na Bolsa de Valores e a desvalorização do Real.
Le Figaro: Reproduzindo material distribuído pela Agence France-Presse (AFP), a principal agência de notícias em língua francesa, o jornal traz a manchete “Brasil: as ruas querem a saída do presidente”, destacando que a exigência para que Temer renuncie tem ganhado força diante das graves acusações de corrupção e a rejeição às propostas de reformas apresentadas pelo governo.
O espanhol El Pais trouxe uma sequência de fotos do confronto com a
 polícia e destaca que “o presidente brasileiro foi acusado de obstrução da justiça
El País: Sob a manchete “Uma manifestação multitudinária exige, em Brasília, o fim do governo Temer” o site do jornal espanhol destacou que “o presidente brasileiro foi acusado de obstrução da justiça e o Supremo está considerando condená-lo por corrupção”. Além disso, apresentando uma sequência de fotos do confronto com a polícia, o El País afirma que os protestos chegaram a paralisar a sessão da Câmara dos Deputados e que a decisão de colocar o Exército nas ruas causou críticas, dentro e fora do governo, sintetizando o dia 24 de maio em uma frase: “A tensão devido à crise política no Brasil balançou o coração político do país, convertido em campo de batalha”.
Em uma outra matéria publicada no final da noite juntamente com um vídeo sob o título “Os protestos contra o presidente Temer paralisam o governo do Brasil” , o jornal sintetiza o clima em Brasília: “Convocadas por sindicatos, movimentos sociais, dezenas de milhares de pessoas tomaram Brasília no início da tarde de quarta para protestar contra as reformas liberais do governo e exigir a renúncia do presidente Temer, que está sob suspeita de graves delitos de corrupção. Foi um dos maiores protestos dos últimos anos na capital do país, na imensa Esplanada dos Ministérios. Tudo acabou em uma paisagem quase bélica, com colunas de fumaça preta, pedras e balas de borracha voando em meio ao som de detonações de fuzis.”
O periódico argentino registrou na véspera das manifestações que
 “Debilitado, Michel Temer não consegue com que o Senado vote leis-chaves”.
El Clarin: O jornal argentino destacou “Michel Temer envia as Forças Armadas para conter a violência em Brasília”, noticiando que a multidão com cerca de 35 mil pessoas saiu de forma ordeira do estádio Mané Garrincha, mas foi detida por uma barreira, quando “a polícia começou a jogar gases lacrimogêneos” e também a disparar balas de borracha que ferindo vários manifestantes.
No dia anterior, em uma matéria intitulada “Debilitado, Michel Temer não consegue com que o Senado vote leis-chaves”, o jornal argentino destacou: “A continuidade do presidente brasileiro, Michel Temer, com uma sobrevivência mais prolongada do que se imaginava no início, tem seus reflexos não só na economia como também na vida parlamentar”, destacando como a tentativa de votar aspectos das reformas Trabalhista e Previdenciária, em comissões do Senado, acabaram em pancadaria.

O jornal cita um senador, sem identificá-lo, que teria afirmado que “este é o retrato de um governo que não pode se sustentar mais e precisa que se façam sessões e que se vote a toda a  velocidade, sem nenhum debate” para concluir que “o certo é que Temer nem sequer contar, no Senado, com todos os parlamentares de seu partido”, dando como exemplo Renan Calheiros (o líder do PMDB) que teria declarado: “É incrível que um governo com este nível de rejeição queira fazer uma reforma fundamental de forma unilateral. Isso não vai ocorrer. Não pode acontecer”.

*Graduado em História e Mestre em Ciências da Comunicação/Cinema  é professor universitário de História da Arte e Metodologia do Ensino de História.